Por Alessandro Lima
Qual é a classificação teológica/doutrinária da sentença: “Maria, Mãe de Jesus é Corredentora”? [1]
1. Classificação
Sententia pia et probabilis, ou também sententia certa, conforme a formulação teológica tradicional.
(Isto é: uma doutrina segura e piedosa, amplamente ensinada na Igreja, embora ainda não definida dogmaticamente.)
2. Justificativa:
A expressão “Maria, Mãe de Jesus, é Corredentora”, entendida no sentido católico tradicional, é ortodoxa.
A teologia da corredentora afirma que Maria cooperou de modo singular, íntimo e subordinado à obra redentora de Cristo, sem jamais colocar-se no mesmo nível do Redentor, mas participando de sua missão como nova Eva, unida ao novo Adão.
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- Fundamento bíblico:
- Jo 19,25-27 – Maria está aos pés da Cruz, associada ao sacrifício do Filho.
- Lc 1,38 – O “fiat” mariano permitiu a Encarnação redentora.
- Gn 3,15 – A mulher e sua descendência em oposição à serpente.
- Testemunho do Magistério:
- Leão XIII (Enc. Adiutricem populi, 1895) reconhece Maria como “associada à Redenção”.
- São Pio X (Enc. Ad diem illum, 1904): “Ela foi a administradora de todas as graças e cooperou na obra da Redenção.”
- Bento XV (Inter sodalicia, 1918): “Maria sofreu e quase morreu com seu Filho sofredor e moribundo… tanto quanto pôde, imolou o Filho para a salvação dos homens; por isso, justamente se pode dizer que ela redimiu o gênero humano juntamente com Cristo.”
- Pio XI chamou Maria explicitamente “Corredentora” em várias alocuções (1933, 1935).
- Pio XII, em Mystici Corporis, confirma a cooperação de Maria “com Cristo em trazer de volta a vida sobrenatural às almas”.
- Fundamento bíblico:
A expressão “Corredentora” é, pois, teologicamente legítima, se compreendida com a devida subordinação a Cristo.
3. Comentário:
A doutrina da corredentora afirma que Maria participou na Redenção de modo moral e meritório, oferecendo ao Pai, junto com o Filho, os sofrimentos de seu coração imaculado, em perfeita união com o sacrifício redentor.
Negar essa cooperação — ou considerá-la irrelevante — seria erro teológico e tenderia a diminuir o papel de Maria na economia da salvação, indo contra a tradição constante da Igreja.
Por outro lado, interpretar a frase de modo a sugerir igualdade ontológica ou causal entre Maria e Cristo na Redenção seria haeretica, pois Cristo é único Redentor (1 Tm 2,5).
4. Sugestão de formulação ortodoxa:
“Maria Santíssima, em união íntima e subordinada a Cristo Redentor, cooperou de modo singular na obra da nossa Redenção; por isso, a Igreja piedosamente a chama Corredentora.”
5. Conclusão
A proposição “Maria, Mãe de Jesus, é Corredentora” é doutrinariamente ortodoxa e piedosa, classificada como sententia certa ou pia et probabilis, desde que entendida conforme o magistério tradicional, isto é, como cooperação dependente e subordinada à Redenção única de Cristo.
NOTAS
[1]
Sentença proposta ao Censor Theologicus.










